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O que a democracia tem a ver com as mudanças climáticas?

Foto: Shutterstock

Em um momento em que o sistema eleitoral foi alvo de questionamentos no Brasil e a sociedade civil se uniu em atos públicos em prol da democracia, a pergunta acima serviu de norte para um artigo publicado em agosto no portal Capital Reset e no jornal Valor Econômico, escrito por Roberto Waack, presidente do conselho do Instituto Arapyaú; Renata Piazzon, diretora; e Francisco Gaetani e Izabella Teixeira, integrantes do Programa de Fellows do instituto.

O texto destaca como a emergência climática, em um mundo sob intensa transformação, passou a conviver com as crises política, sanitária, ambiental, econômica, alimentar e social – isso considerando apenas o período pós 2015, quando foi assinado o Acordo de Paris. Ao lado disso, o processo de reestruturação produtiva rumo a uma economia de baixo carbono foi pego no contrapé e a transformação digital acelerou-se brutalmente, produzindo um conjunto de novas realidades que não eram antecipáveis e para as quais não estávamos preparados.

Nesse mundo polarizado e fragilizado, com retrocessos impensáveis, como o aprofundamento das desigualdades sociais e a eclosão de uma guerra na Europa, o refluxo da democracia em várias regiões do planeta agrava o cenário. 

Não há como negar a correlação da crise climática com a democracia, afirmam os autores. Não há como evitar a conexão entre desmandos institucionais e danos ambientais, como o desmatamento e o garimpo ilegal. Não há como fugir do fato de que a legitimidade e a efetividade de políticas fiscais e tributárias relacionadas às mudanças climáticas dependem de decisões desenvolvidas em parlamentos sólidos e respeitados. É impossível construir uma agenda geopolítica forte, com sistemas políticos questionáveis, instáveis, sem o reconhecimento de que tenham efetivamente o suporte de seus eleitores. 

De acordo com o texto, nesse momento de vulnerabilidades e oportunidades, protagonizar a inserção do Brasil nas novas realidades em gestação é o desafio da hora. Em meio a tantos binômios (Ocidente x Oriente, Norte x Sul, regimes democráticos x regimes autoritários) e plataformas (ONU, BRICS, G-20, OCDE, COPs, WEF, Basic, Otan, OMC, OMS), a emergência climática depende cada vez mais do multilateralismo e das forças democráticas para a sua priorização. E o Brasil tem historicamente inserção em redes e credibilidade internacional para ajudar nesse processo.
Leia o artigo completo no Capital Reset. ou no Valor Econômico.

Carmen Guerreiro

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