Por que todos ganham em parcerias intersetoriais para a inovação em governo

Por que todos ganham em parcerias intersetoriais para a inovação em governo

Como atuar de uma perspectiva inovadora em parcerias intersetoriais com o governo? Esse foi o tema do último webinar da série “Capacidades para Inovação em Governos”, realizada durante todo o mês de julho pelo Arapyaú, República.org e RAPS. Durante o evento, representantes das três instituições, mediados por Diogo Lima, superintendente de Igualdade Racial na Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes (RJ), debateram os desafios para fortalecer o Estado nesse tipo de aliança, usando como ferramenta a inovação.

“Não faz sentido achar que reduzir o Estado vai resolver algo. Devemos ampliar a capacidade do Estado de forma que cada um faça seu papel na parceria, e trabalhando juntos a gente consegue fazer isso”, afirmou Marcelo Cabral, gerente do programa Cidades e Territórios do Arapyaú. “Precisamos testar novos modelos, e também fazer funcionar o que já existe. Construir de portas abertas, com transparência, entendendo quais são os incentivos de cada um, onde vamos chegar…. Não faz sentido concorrer, isso gera desconfiança.”

Marcelo elencou algumas características, alternativas e desafios para inovar intersetorialmente no setor público. Em primeiro lugar, ele defende que “inovação não é um processo entrópico, que você senta na mesa e faz sozinho”, por isso alianças são essenciais. O segundo ponto é que a burocracia e a rigidez da legislação não abrem espaço para a flexibilidade necessária para testar novos modelos. Outros obstáculos são a ausência de cultura, os riscos para o gestor público (que são assumidos como pessoa física), e as lacunas na formação do dirigente. Para Marcelo, as parcerias intersetoriais são essenciais para enfrentar esses desafios, em especial os de aversão a riscos e formação. Para cada um deles, o gerente de Cidades do Arapyaú apresentou modelos que estão sendo testados e seus resultados até agora.

Por que todos ganham em parcerias intersetoriais para a inovação em governo

Diálogo e reconhecimento

Isabela Tramansoli, gerente de Projetos da República.org, complementa que nesse processo é preciso “garantir as escutas no diálogo com os governos, ouvir quais são de fato as dores dos profissionais públicos e fazer em conjunto. É super importante a gente testar, experimentar, ter humildade para ver de que maneira a gente pode contribuir com transparência e diálogo permanente.” Ela lembra que o governo não precisa estar sozinho para dar conta dos seus enormes desafios, que a especialista descreve como uma “mediação dos conflitos e anseios da população”. “Os desafios são coletivos e as responsabilidades precisam ser partilhadas. E esse fazer junto precisa de força e potência.”

Em sua fala, Isabela ressaltou a necessidade de reconhecer os profissionais do setor público, pois existem milhares “extremamente competentes, engajados e que trabalham para melhorar a vida das pessoas”. Ela cita como exemplo de reconhecimento o Prêmio Espírito Público, que valoriza iniciativas de alto impacto para a população (as inscrições desta edição estão abertas até 10/8).

Cassia Costa, gerente de Ação Política da RAPS, adiciona que as parcerias são importantes porque no setor público as equipes estão sobrecarregadas e os gestores imersos nos problemas, e muitas vezes um olhar de fora pode ajudar a enxergar soluções que já estão lá. “Ainda há muita dificuldade do gestor que está na ponta de testar”, afirma, justificando que o tempo da gestão pública é diferente do tempo da política. Em pouco tempo para desenvolver, implementar e consolidar políticas públicas, é um desafio abrir a cabeça para a inovação. “Esse estímulo à testagem pode ser fortalecido, isso ajudaria a estimular a inovação no setor público.”

Os encontros foram gravados e estão disponíveis no canal do YouTube da República.org.