O Skoll World Forum voltou a reunir, em 2026, algumas das principais lideranças globais dedicadas à transformação social. Realizado na cidade de Oxford, no Reino Unido, de 21 a 24 de abril, o encontro reuniu cerca de 1,3 mil participantes, entre empreendedores sociais, filantropos, acadêmicos e representantes do setor público, com o objetivo de acelerar soluções para desafios complexos que atravessam o planeta.
Débora Passos, diretora de Estratégia e Governança do Instituto Arapyaú, esteve presente no evento.
“Foi uma oportunidade de aprofundar a inteligência estratégica sobre o campo da filantropia, de nos conectar com atores que podem cooperar com nossas agendas e de conhecer iniciativas inovadoras que tragam soluções replicáveis”, afirma.
Promovido pela Skoll Foundation, neste ano, o debate girou em torno da resiliência e da capacidade coletiva de renovação diante de crises cada vez mais interligadas. Um dos destaques foi o protagonismo crescente de lideranças do Sul Global. “Vimos uma valorização muito forte de organizações enraizadas em seus territórios, com América Latina, África e Ásia ocupando um papel central nas discussões e também nas premiações”, destaca Passos.
Iniciativas que combinam impacto social, ambiental e econômico reforçaram o potencial de soluções locais com escala global. A experiência da ChildLife Foundation, por exemplo, mostrou como o uso de telemedicina em hospitais públicos do Paquistão conseguiu reduzir drasticamente a mortalidade infantil em casos graves. Essa iniciativa foi uma das vencedoras do Prêmio Skoll de Inovação Social 2026.
“São soluções que partem de realidades concretas e mostram como a tecnologia pode gerar valor quando bem aplicada” comenta Passos.
O avanço tecnológico, aliás, foi um dos eixos centrais do encontro, com atenção tanto às oportunidades quanto aos riscos. Um dos conceitos discutidos foi o de polyintelligence, que combina inteligência humana, artificial e coletiva.
“O futuro mais promissor não está na automação pura, mas na colaboração entre diferentes formas de inteligência para resolver problemas complexos”, explica a diretora de Estratégia e Governança.
Outro ponto recorrente foi o papel da filantropia diante de desafios estruturais. As discussões reforçaram a necessidade de mais ousadia e flexibilidade nos investimentos. Nesse contexto, o conceito de Big Bets — grandes aportes financeiros direcionados a soluções de alto impacto — ganhou destaque. Segundo Passos, esses investimentos têm potencial para mudar o patamar de atuação das organizações. “Grandes doações aceleram o ritmo, ampliam a ambição e fortalecem a capacidade institucional. Elas permitem investir em equipes, tecnologia e gestão, criando condições para que o impacto se sustente ao longo do tempo.”
Mais do que impulsionar iniciativas, o desafio colocado é garantir que soluções permaneçam mesmo após o fim dos recursos. “Os problemas estruturais são persistentes. Por isso, o foco precisa estar em construir capacidades duradouras, que garantam transformação contínua e evitem retrocessos”, conclui.