O Movimento Floraz, que une empresas, investidores e instituições para estruturar o mercado de restauração florestal no Brasil e do qual o Instituto Arapyaú faz parte, submeteu contribuições ao processo de construção do Mapa do Caminho para Parar e Reverter o Desmatamento e a Degradação Florestal até 2030 à presidência da COP30, a partir do estudo “O Protagonismo das Florestas Brasileiras na Agenda Climática Global”. A iniciativa da presidência da conferência busca reunir propostas, experiências e soluções de diferentes setores e países para fortalecer a implementação de políticas florestais e acelerar a agenda climática global.
O estudo foi elaborado por uma coalizão formada por oito instituições: Instituto Arapyaú, Amazônia 2030, CEBDS, Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, Imazon, Ibá, Instituto Itaúsa, Uma Concertação pela Amazônia e Página 22. O documento reforça o papel estratégico das florestas brasileiras para o enfrentamento da crise climática e propõe caminhos para que o país amplie sua cobertura florestal, reduza emissões e fortaleça uma economia baseada na conservação e na restauração ambiental.
A submissão foi feita dentro da chamada internacional organizada pela presidência da COP30, que abriu espaço para contribuições de governos, organizações da sociedade civil, setor privado, especialistas e organismos multilaterais. A expectativa é que o roadmap seja consolidado ao longo de 2026 e apresentado durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, em setembro, antes de chegar à COP31, que será realizada em Antália, na Turquia.
Para Vinicius Ahmar, a participação do Arapyaú e das instituições parceiras busca fortalecer a presença das florestas brasileiras no centro das soluções climáticas globais.
“Esse documento é uma discussão super importante. A gente quis inserir nossas florestas nesse roadmap, colocando o Brasil como parte da solução, mostrando que as nossas florestas são fundamentais tanto para a restauração quanto para a conservação contínua. Temos soluções possíveis e queremos contribuir para dar robustez ao documento e para que essa agenda avance de forma concreta”, afirma.
O estudo apresentado pela coalizão aponta que o Brasil pode inverter a trajetória histórica de perda florestal e alcançar aumento líquido da cobertura vegetal até 2035. A projeção indica que o país pode passar de 517 milhões para 525 milhões de hectares de florestas em uma década — um crescimento equivalente à área do estado de Santa Catarina.
Além do impacto ambiental, o avanço teria efeito direto sobre os estoques de carbono e consolidaria o protagonismo brasileiro na agenda climática internacional. O levantamento defende que é possível expandir a produção agropecuária sem pressionar novas áreas de vegetação nativa, desde que haja fortalecimento de políticas públicas, incentivos econômicos e investimentos em restauração, bioeconomia e silvicultura sustentável.
O documento também reforça que as florestas devem ser reconhecidas como ativos econômicos estratégicos. Nesse contexto, mecanismos de financiamento climático, como o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF) e iniciativas de REDD+ jurisdicional, aparecem como instrumentos centrais para remunerar territórios e comunidades que mantêm a floresta em pé e reduzem emissões.
A proposta dialoga diretamente com os objetivos do Mapa do Caminho da COP30, que pretende reunir referências globais de políticas públicas, mecanismos de governança, soluções tecnológicas e instrumentos financeiros voltados à conservação florestal. A presidência da conferência defende que interromper o desmatamento até 2030 é condição essencial para o cumprimento das metas do Acordo de Paris e para limitar o aquecimento global a 1,5°C.
Ao reunir contribuições de diferentes regiões e setores, a iniciativa busca consolidar uma visão de desenvolvimento em que conservação ambiental, crescimento econômico e inclusão social avancem de forma integrada. Nesse cenário, o Brasil aparece como uma das principais referências globais, tanto pela dimensão de suas florestas quanto pelo potencial de liderar soluções baseadas na natureza.