Nos dias 2 e 3 de junho, o Rio de Janeiro sediou o III Fórum de Finanças Climáticas e de Natureza, que neste ano integrou a programação oficial da Rio Nature & Climate Week como um de seus eventos âncora. O encontro reuniu representantes do governo, setor privado, instituições financeiras, academia, organizações da sociedade civil e organismos internacionais para discutir caminhos capazes de acelerar a implementação de soluções climáticas e de natureza no Brasil e no mundo.
Organizado por uma coalizão entre Instituto Arapyaú, Instituto Aya, iCS, Instituto Igarapé, Instituto Itaúsa, Open Society Foundation e Uma Concertação pela Amazônia, o fórum ocorreu em um momento estratégico da agenda global do clima. Meses após a realização da COP30, em Belém.
A programação contou com a participação do presidente da COP30, o embaixador André Corrêa do Lago, da CEO da conferência, Ana Toni, além de autoridades, empresários, investidores, pesquisadores e especialistas que discutiram oportunidades para ampliar o financiamento climático e fortalecer uma economia alinhada à transição para um modelo de desenvolvimento de baixo carbono.
Um dos destaques do encontro foi a realização de mesas temáticas dedicadas aos chamados Mapas do Caminho, documentos apresentados pela Presidência da COP30 para apoiar a implementação de ações relacionadas à transição para o afastamento dos combustíveis fósseis e ao fim do desmatamento e da degradação florestal até 2030. As discussões exploraram instrumentos financeiros, marcos regulatórios e mecanismos de cooperação capazes de viabilizar as transformações propostas pelos documentos.
Competitividade
Ao longo dos dois dias, especialistas ressaltaram que os desafios climáticos atuais exigem uma visão integrada entre desenvolvimento econômico, conservação ambiental e inclusão social. Nesse contexto, o fortalecimento da bioeconomia, a restauração florestal, a transição energética e a proteção dos ecossistemas foram apontados como oportunidades estratégicas para o Brasil ampliar sua competitividade e atrair investimentos.
Para a CEO do Instituto Arapyaú, Renata Piazzon, o debate sobre implementação precisa ganhar centralidade na agenda nacional. “O Brasil não precisa começar do zero quando falamos de soluções climáticas. Muitas delas já existem. O desafio agora é transformar capacidade em escala, coordenação e implementação”.
Segundo ela, o país já reúne conhecimento técnico, experiências concretas e instrumentos capazes de impulsionar a transição para uma economia regenerativa. O avanço, porém, depende de uma articulação mais consistente entre governo, setor privado, academia e filantropia.
“Ainda tratamos a agenda ambiental como algo paralelo ao desenvolvimento econômico, quando ela precisa estar no centro da estratégia nacional. Floresta, bioeconomia, restauração e transição energética não são apenas pautas ambientais, são temas de competitividade, inovação e política industrial.”
Foto: Filipe Escudine
As discussões também destacaram a necessidade de construir mecanismos capazes de ampliar o fluxo de recursos para iniciativas voltadas à conservação e ao desenvolvimento sustentável. Entre os temas abordados estiveram a criação de estruturas financeiras para destravar investimentos, a integração econômica dos territórios amazônicos e o fortalecimento de parcerias entre países do Sul Global.
A perspectiva de implementação esteve presente em toda a programação do evento e alinhada aos seis eixos da Agenda de Ação Climática Global da COP30. Os debates abordaram temas como transição energética, proteção da biodiversidade, sistemas alimentares, adaptação climática, desenvolvimento humano e mobilização de financiamento, tecnologia e capacitação.
Ao reunir diferentes setores em torno de uma agenda comum, o III Fórum de Finanças Climáticas e de Natureza reforçou a importância da cooperação para transformar soluções já conhecidas em resultados concretos. Em um cenário internacional marcado pela convergência entre clima, economia, tecnologia e geopolítica, o encontro contribuiu para fortalecer alianças e construir condições para que o Brasil amplie seu protagonismo na implementação de soluções climáticas e de natureza.
Como destacou Renata Piazzon, o momento exige uma visão de longo prazo capaz de ultrapassar ciclos políticos e oferecer segurança para investimentos estruturantes. “Mais do que metas de curto prazo, o Brasil precisa construir uma agenda ambiental de Estado, que transcenda ciclos eleitorais e ofereça previsibilidade para investimentos de longo prazo.”
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