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agosto 3, 2026

Da COP30 à COP31, Brasil encara o desafio da implementação

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Nosso impacto

O que o Instituto Arapyaú está fazendo para impulsionar o desenvolvimento sustentável 
na Amazônia?

Com o Brasil ainda à frente da presidência da COP do clima, o período após a conferência em Belém abre uma nova etapa nessa agenda. Depois de colocar o país no centro das discussões internacionais, o desafio é avançar na implementação e criar condições para que soluções em áreas como bioeconomia, restauração florestal e sistemas alimentares ganhem escala.

O Instituto Arapyaú tem acompanhado esse processo em diferentes espaços nacionais e internacionais. Nos últimos meses, essa atuação incluiu uma imersão na China e a participação, pelo segundo ano consecutivo, na London Climate Action Week, além das articulações realizadas no Brasil, como o III Fórum de Finanças Climáticas. Em comum, essas agendas apontam para a necessidade de aproximar clima e natureza das discussões sobre desenvolvimento econômico, inovação e investimentos.

“A COP30 foi uma oportunidade rara de reposicionar o Brasil como um país capaz de oferecer soluções para alguns dos maiores desafios globais e de mostrar ao mundo que clima, natureza e desenvolvimento podem caminhar juntos”, afirma Renata Piazzon, CEO do Instituto Arapyaú. Para ela, o legado desse período depende agora da capacidade de acelerar investimentos, fortalecer a bioeconomia e a restauração florestal e transformar experiências que já existem no país em políticas públicas e negócios capazes de ganhar escala.

Clima, tecnologia e produção de alimentos

Na China, uma das principais reflexões foi sobre como o país vem articulando segurança alimentar e climática, tecnologia e política industrial em uma estratégia de longo prazo. Tecnologias verdes, biotecnologia, energia limpa e inovação na agricultura fazem parte das prioridades chinesas, apoiadas por instrumentos de planejamento e financiamento que operam em horizontes de décadas.

Para o Brasil, a experiência traz aprendizados e também oportunidades de cooperação. A China é o principal parceiro comercial brasileiro e um mercado central para a produção agropecuária do país. A relação pode avançar para áreas como desenvolvimento tecnológico, redução de riscos climáticos, rastreabilidade e bioeconomia.

“Muitas das soluções que o mundo procura já existem no Brasil. O desafio é transformar essas vantagens comparativas — biodiversidade, reservas minerais, florestas, potencial energético — em vantagens competitivas. Isso exige implementação, escala e uma arquitetura de financiamento que permita acelerar essas soluções”, afirma a CEO.

A relação entre clima e produção de alimentos também ganha espaço nessa discussão. Cerca de 90% da agricultura brasileira depende do regime de chuvas, o que torna a conservação da vegetação nativa parte das condições necessárias para a estabilidade da produção. A floresta contribui para regular a temperatura e umidade e para a reciclagem de água, com efeitos que alcançam a produtividade e a segurança das cadeias de abastecimento.

Soluções brasileiras no debate internacional

Na London Climate Action Week, o Arapyaú levou três agendas prioritárias para o Brasil: bioeconomia, restauração florestal e sistemas alimentares. Entre as iniciativas apresentadas esteve o Projeto Tucumã, que conecta empresas, empreendedores, cooperativas e comunidades para ampliar a demanda por ingredientes da biodiversidade brasileira. A iniciativa já mostra resultados práticos: ingredientes como tucupi, cupuaçu e puxuri já estão em testes em redes de restaurantes.

Os debates em Londres também abordaram o financiamento necessário para ampliar a escala dessas soluções. Para Renata Piazzon, embora o mercado financeiro já incorpore riscos climáticos às decisões de investimento, ainda é preciso avançar na criação de instrumentos mais adequados.

Os riscos climáticos já são riscos financeiros, e isso tende a se aprofundar. Ao mesmo tempo, ainda precisamos desenvolver instrumentos financeiros capazes de direcionar capital para soluções que conciliem retorno econômico, conservação e desenvolvimento territorial. Essa arquitetura financeira ainda está em construção”, diz.

Esse é também um dos pontos que conectam a atuação internacional do instituto às próximas etapas da agenda climática. Com a COP31 no horizonte, o desafio será manter as soluções brasileiras em evidência e avançar da formulação para a implementação, conectando políticas públicas, setor privado, filantropia e capital.

“Precisamos de uma visão compartilhada de onde queremos chegar. Qual economia queremos construir? Como pretendemos competir no mundo? Quais setores queremos desenvolver? Como a agenda climática se conecta à política industrial, à inovação e à geração de renda?”, afirma Renata.

Para o Instituto Arapyaú, esse percurso passa por seguir construindo pontes entre agendas que muitas vezes ainda são tratadas separadamente. Como resume a CEO “o mundo está buscando segurança: energética, alimentar e climática. E o Brasil é capaz de oferecer essas três respostas simultaneamente”.

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