O meio ambiente está entre os três assuntos que mais mobilizam as juventudes brasileiras, e oito em cada dez jovens reconhecem que vivemos uma crise climática e que as mudanças no clima afetam diretamente a qualidade de vida da população. Os dados são da pesquisa “Juventudes, Meio Ambiente e Mudanças Climáticas”, realizada pelo Em Movimento e pela Rede Conhecimento Social, e ajudam a dimensionar o interesse das novas gerações por um debate do qual ainda nem sempre conseguem participar plenamente.
Esse diagnóstico foi o ponto de partida do caderno “Juventudes e Soluções em Clima e Natureza” (JUCLIN), elaborado pelo Em Movimento com apoio do Instituto Arapyaú. A publicação é uma adaptação do relatório “Soluções em Clima e Natureza do Brasil”, lançada pelo Arapyaú em parceria com o Instituto Itaúsa, que mapeou iniciativas práticas e escaláveis de transição climática no país. O novo caderno traduz conceitos, dados e propostas do estudo para uma linguagem conectada às experiências das juventudes e relaciona o conhecimento técnico às questões vividas em diferentes territórios.
O JUCLIN foi lançado em 12 de agosto, durante o evento “Cultivando a Mudança — Juventude, Agricultura e Soluções Baseadas na Natureza”, realizado pelo Instituto Arapyaú e pelo Instituto Alana. O encontro marcou o Dia Internacional da Juventude e reuniu jovens lideranças para discutir os caminhos necessários para ampliar sua presença nas decisões sobre agricultura, natureza e clima.
“Há uma lacuna de participação das juventudes nos espaços internacionais de encontro e debate sobre clima e natureza. Por isso, depois de mapear soluções brasileiras nessa agenda, vimos a importância de aprofundar algumas delas em uma publicação que traduza os temas em uma linguagem adequada às novas gerações. Queremos que as juventudes se apropriem dessa agenda”, afirmou Lívia Pagotto, diretora institucional do Instituto Arapyaú, na abertura do evento.
Carolina Maciel (Alana) e Lívia Pagotto (Arapyaú) na abertura do evento. Foto: Luca Meola
O caderno foi construído a partir de três encontros formativos realizados durante a preparação para a COP30. “Dez jovens lideranças de diferentes regiões do país participaram das oficinas, compartilhando conhecimentos, experiências e análises sobre as soluções propostas”, explicou Iasmim de Araujo Vieira, coordenadora de projetos do Em Movimento.
O conteúdo está organizado em quatro eixos — agricultura e pecuária, economia circular, florestas e energia e justiça climática e ambiental — e reúne explicações, dados, referências, depoimentos e atividades educativas. Conceitos como agricultura regenerativa, sistemas agroflorestais, créditos de carbono e logística reversa são apresentados em conexão com desafios como crise hídrica, êxodo rural, dificuldade de acesso a financiamento, falta de infraestrutura para reciclagem e impactos sociais de projetos de energia renovável.
Experiência territorial também é conhecimento
O encontro foi marcado ainda por um painel moderado por Jahzara Ona, ativista climática, que reuniu Adriani Maffioletti, ativista e pesquisadora em clima e saúde; Mahryan Sampaio, Embaixadora da Juventude da ONU; Keylane, estudante da Escola Família Agrícola Regional; e Marcele Oliveira, Campeã da Juventude para o Clima da Presidência da COP30.
A partir de trajetórias ligadas ao ativismo climático, à educação, à agricultura e à participação em espaços internacionais, as painelistas mostraram que a liderança jovem se manifesta em diferentes escalas. Ela está presente tanto na mobilização de comunidades e na criação de projetos locais quanto na incidência sobre políticas públicas e negociações globais.
As falas também chamaram atenção para as condições necessárias para que essa atuação seja fortalecida. Abrir espaços de participação é apenas uma parte do processo. É preciso garantir que as contribuições das juventudes sejam consideradas nas decisões, ampliar o acesso a financiamento e redes de apoio e reconhecer que experiências construídas nos territórios constituem conhecimento relevante para formular respostas à crise climática.
Essa reflexão orientou a mesa-redonda realizada com os jovens presentes, a partir da pergunta “Quais os principais caminhos para fortalecer a liderança das juventudes na construção de soluções para agricultura, natureza e clima nos próximos anos?”. Os participantes compartilharam aprendizados e dificuldades vividos em voluntariados, estágios, organizações e projetos próprios, aproximando o debate das condições concretas encontradas por quem busca atuar na agenda.
O encontro terminou com um convite para que cada participante recuperasse as pessoas e os lugares que dão sentido à sua mobilização. A mensagem foi reforçada por Sally Higgins, Campeã da Juventude para o Clima da Presidência da COP31, ao destacar que a ação começa nos territórios e que os jovens já possuem experiência e conhecimento para liderar transformações nesses espaços.
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