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setembro 1, 2026

ExpoCacau destaca inovação e conhecimento para a produção sustentável

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Nosso impacto

O que o Instituto Arapyaú está fazendo para impulsionar o desenvolvimento sustentável 
na Amazônia?

Ricardo Gomes e Vinícius Ahmar durante a ExpoCacau (Foto: Graci Sá)

Ampliar a cacauicultura em bases sustentáveis exige combinar sistemas agroflorestais, assistência técnica, crédito, pesquisa e acesso a mercados. Essa integração esteve no centro da ExpoCacau 2026, que discutiu como elevar a produtividade e a renda dos agricultores sem dissociar a produção da conservação florestal. 

Entre os dias 25 e 27 de agosto, a feira recebeu mais de 6,8 mil pessoas em Ilhéus, no sul da Bahia. Produtores rurais, pesquisadores, empresas, instituições financeiras e organizações do setor participaram dos debates sobre inovação, financiamento e o futuro da cadeia. O Instituto Arapyaú apoiou o evento pelo segundo ano consecutivo e apresentou iniciativas voltadas à produção sustentável e à aproximação entre conhecimento técnico e realidade do campo.  

Ricardo Gomes, diretor programático do Arapyaú, abordou a cacauicultura como ponto de partida de uma cadeia que abrange  transformação, distribuição, comercialização e consumo, movimentando economias e, principalmente, envolvendo pessoas. “O que nos motivou a levar essa discussão ao evento foi a conexão estratégica do cacau ao contexto dos sistemas alimentares. A atividade cacaueira é capaz de conciliar conservação florestal com produção de alimentos por meio de modelos agroflorestais e de gerar melhoria de renda para os produtores”, disse.

Cultivado em grande parte por agricultores familiares, o cacau pode integrar sistemas que associam diferentes cultivos alimentares e espécies florestais, além de permitir a  diversificação de renda e da oferta de alimentos.  No sul da Bahia, o AgroCIC mostra como essa abordagem pode ser aplicada. Desenvolvido pelo Centro de Inovação do Cacau (CIC) com apoio do Instituto Arapyaú, o projeto converte pastagens degradadas e áreas de baixa produtividade em sistemas com cacau, açaí, banana e espécies florestais.

A iniciativa já recebeu mais de R$1,6 milhão em investimentos e ultrapassou a marca de 100 mil mudas plantadas. Durante a ExpoCacau, produtores puderam conhecer o projeto e cadastrar propriedades no estande do CIC. As áreas inscritas serão avaliadas pela equipe técnica. Fora da feira, os agricultores podem buscar mais informações sobre como participar do projeto no site da organização

App do Cacau: IA a serviço do produtor 

Reduzir a distância entre conhecimento especializado e tomada de decisão no campo foi outra frente apresentada durante a feira. O App do Cacau, lançado no evento, utiliza inteligência artificial para auxiliar pequenos produtores na identificação preliminar de doenças, pragas e deficiências nutricionais das lavouras.

Financiada pelo Instituto Arapyaú, a ferramenta foi desenvolvida com apoio do Parque Científico e Tecnológico do Sul da Bahia por pesquisadores de instituições da região, do Peru e da Holanda. O aplicativo funciona pelo WhatsApp: o produtor envia gratuitamente textos, áudios ou imagens da lavoura e recebe uma avaliação inicial de seus cacaueiros.

A tecnologia busca reduzir o tempo de resposta entre a percepção de uma possível ocorrência e o acesso à orientação técnica, especialmente em áreas rurais mais remotas. O aplicativo não substitui o trabalho de agrônomos e técnicos agrícolas, mas pode ajudar a identificar situações que exigem atendimento especializado e tornar esse encaminhamento mais ágil.

“Levar conhecimento ao campo é fundamental para a cacauicultura. Com o apoio da tecnologia e da inteligência artificial, a ferramenta pode contribuir para melhorar os resultados do produtor, gerar mais renda e mitigar os riscos de produção”, destaca Ricardo Gomes. 

O projeto é coordenado pela doutora Deborah Faria, professora do Departamento de Ciências Biológicas da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc) à frente do Laboratório de Ecologia Aplicada à Conservação (Leac). Além da universidade do sul da Bahia, pesquisadores da Universidad Nacional de San Martín (UNSM), do Peru, contribuíram com o fornecimento de imagens, e o doutor Arun Pratihast, da Universidade de Wageningen, da Holanda, foi o desenvolvedor do modelo de inteligência artificial. Quase 30 profissionais estão envolvidos na construção da ferramenta. 

Pesquisa conectada às demandas do campo

A aproximação entre pesquisa e assistência técnica também avançou com uma colaboração formalizada durante a ExpoCacau. Instituto Arapyaú, Consórcio Intermunicipal do Mosaico das Áreas de Proteção Ambiental do Baixo Sul da Bahia (CIAPRA), CocoaAction e Mars se uniram para ampliar a capacitação técnica de agricultores familiares atendidos pelo consórcio.

O acordo levará o conhecimento produzido pelo Centro Mars de Ciência do Cacau (MCCS), em Barro Preto, cidade no sul da Bahia, a produtores de 15 municípios atendidos pelo CIAPRA. Estão previstos treinamentos, demonstrações de práticas agronômicas, validação de soluções e transferência de conhecimento orientada pelas demandas dos agricultores.

As iniciativas apresentadas no evento apontam que o desenvolvimento da cadeia depende do avanço em pesquisa e de ações para que tecnologia e financiamento cheguem ao produtor e respondam às condições concretas de cada território.

“Para o Arapyaú, a ExpoCacau é um espaço de encontro com produtores, empresas e parceiros com quem construímos nossa atuação. Além das conexões que surgem durante o evento, todos levam informações e dados e têm acesso a tecnologias e ferramentas, como o App do Cacau. A expectativa é que esse conhecimento seja utilizado pela cadeia produtiva e que incentive novas soluções nos próximos anos”, resume Vinicius Ahmar, diretor programático do instituto.

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