“A Queda do Céu”, livro do xamã yanomami Davi Kopenawa e do antropólogo francês Bruce Albert, foi eleito o melhor livro brasileiro de não ficção do século 21, em votação organizada pela Folha de S.Paulo. A obra, que contou com o apoio do Instituto Arapyaú, da Hutukara Associação Yanomami (HAY) e do Instituto Socioambiental em sua primeira publicação, em 2015, foi eleita por um júri composto por cem especialistas de diferentes áreas e perfis. De acordo com o jornal, a escolha reflete a avaliação de pesquisadores, jornalistas, professores, cientistas, ex-ministros, intelectuais, imortais da Academia Brasileira de Letras e jovens autores.
“A Queda do Céu” é seguido por “Brasil: Uma Biografia”, de Lilia Moritz Schwarcz e Heloisa Murgel Starling, e “Getúlio (1882-1930), Dos Anos de Formação à Conquista do Poder”, de Lira Neto, na lista dos três mais votados. O livro é o resultado do diálogo entre Kopenawa e Albert, que se estendeu por décadas. O antropólogo viveu em comunidades yanomami e com o passar do tempo estreitou sua relação e seu conhecimento sobre a cosmovisão desse povo. O resultado dessa relação é a obra, publicada originalmente na França. Capa do livro“A Queda do Céu”, de Davi Kopenawa e Bruce Albert (Companhia das Letras, 2015).

Escolhido por 23 dos 100 jurados, o livro de Kopenawa e Albert também está entre os melhores livros de literatura brasileira, de acordo com uma lista organizada pela Folha em maio de 2025, e que teve 101 jurados totalmente diferentes da votação deste ano. “A Queda do Céu” aparece em ambas as categorias devido à própria natureza da obra, que recorre a elementos mitológicos e à linguagem poética para explicar o mundo e as relações com o divino dos yanomami.
Segundo a Folha de S.Paulo, o resultado da votação é “uma seleção de livros instrumentais para entender melhor o Brasil e o mundo de hoje, analisando como chegamos até aqui e sugerindo novos ângulos para mirar adiante.” Para além da lista, entre os méritos de “A Queda do Céu” estão alcançar leitores de diferentes países, a projeção de um autor indígena no mercado editorial brasileiro e a abertura de uma nova posição de diálogo fundada na compreensão entre os mundos.