
A necessidade de transformar soluções climáticas já existentes em políticas públicas, investimentos e ações em escala esteve no centro dos debates da Brazil Climate Investment Week 2026, realizada em São Paulo. O encontro reuniu lideranças do setor financeiro, organizações da sociedade civil, empresas e especialistas para discutir como acelerar a implementação de iniciativas voltadas à transição para uma economia de baixo carbono em um contexto de reconfiguração geopolítica e avanço da agenda climática global após a COP30.
Um dos principais pontos levantados durante o evento foi a necessidade de integrar definitivamente a agenda ambiental à estratégia de desenvolvimento econômico do país. Para Renata Piazzon, CEO do Instituto Arapyaú, o Brasil já reúne experiências concretas, conhecimento técnico e instrumentos capazes de liderar essa transformação, mas ainda enfrenta desafios relacionados à coordenação e à capacidade de implementação.
“O Brasil não precisa começar do zero quando falamos de soluções climáticas. Muitas delas já existem. O desafio agora é transformar capacidade em escala, coordenação e implementação”, afirmou Renata durante o painel “Pós-COP30: acelerando a implementação de soluções no Brasil”, que também contou com a participação de Alessandra Fajardo, diretora executiva de Sustentabilidade do CEBDS, Marcelo Furtado, head de Sustentabilidade do Itaúsa, e do empresário Ricardo Mussa.
Ao longo das discussões, os participantes defenderam que temas como floresta, bioeconomia, restauração ambiental e transição energética deixem de ser tratados apenas como pautas ambientais e passem a ocupar posição estratégica na política industrial e econômica brasileira. Segundo Piazzon, o momento exige maior articulação entre governo, setor privado, academia e filantropia para consolidar uma agenda climática de longo prazo.
“Mais do que metas de curto prazo, o Brasil precisa construir uma agenda ambiental de Estado, que transcenda ciclos eleitorais e ofereça previsibilidade para investimentos de longo prazo”, destacou.
O evento também abordou o papel estratégico dos ativos naturais brasileiros em um cenário internacional marcado por disputas geopolíticas, insegurança econômica e transição energética. Para Marina Cançado, fundadora da Converge Capital e uma das organizadoras da conferência, minerais críticos, florestas, água, oceanos e terras produtivas voltaram ao centro das estratégias globais de desenvolvimento e segurança econômica.
“As decisões que o Brasil irá tomar nos próximos meses e anos serão determinantes para as próximas décadas. O que falta não é potencial, mas direção estratégica e capacidade de execução coordenada”, afirmou Marina.
Realizada a partir da convergência entre a Converge Capital Conference e o Brazil NbS Investment Summit, a Brazil Climate Investment Week vem se consolidando como um espaço de articulação entre investidores e negócios voltados a clima e natureza, ampliando o debate sobre financiamento climático, inovação e desenvolvimento sustentável no país.