Quando pensamos na Amazônia, é comum que a conversa comece pela floresta. Mas ela também pode começar pela mesa. Foi dessa perspectiva que nasceu Amazônia de boca a boca: ingredientes, gentes e florestas, publicação lançada pelo Instituto Arapyaú durante a COP30. Agora, uma versão em inglês do material foi levada à Semana de Ação Climática de Londres, ampliando o alcance de uma iniciativa que busca aproximar empresas, investidores, chefs de cozinha, empreendedores e consumidores da diversidade de ingredientes e das oportunidades que emergem dos sistemas alimentares da floresta.
Mais do que um mapeamento de ingredientes, a publicação apresenta uma nova forma de olhar para a bioeconomia amazônica, O material demonstra como a floresta pode gerar renda, inovação e desenvolvimento a partir de cadeias produtivas que valorizam conhecimentos tradicionais, fortalecem economias locais e contribuem para manter a floresta em pé.
A publicação reúne exemplos de ingredientes já conhecidos, como açaí e castanha, ao lado de produtos que começam a ganhar espaço nas mesas brasileiras, como tucupi, puxuri, babaçu, cumaru e pescados amazônicos. Por trás de cada ingrediente, estão histórias de comunidades, empreendedores e organizações que ajudam a construir uma economia baseada na diversidade biológica e cultural da Amazônia.
Essa visão também orienta o Projeto Tucumã, iniciativa que busca aproximar a floresta da mesa dos brasileiros, conectando empreendedores, cooperativas e comunidades a empresas interessadas em incorporar ingredientes da sociobiodiversidade (como ervas, frutos, raízes e pescados) em seus produtos, cardápios e cadeias de abastecimento.
O objetivo é criar uma demanda consistente para fortalecer negócios locais, ampliar capacidade produtiva e gerar valor ao longo de toda a cadeia.
Os primeiros resultados já começam a aparecer: ingredientes como tucupi, puxuri, farinha de babaçu, cubiu e melado de tucupi estão sendo testados em receitas e produtos das marcas do Grupo Trigo, rede de restaurantes que inclui marcas como Spoleto, Gendai e Asa Açaí. Em alguns casos, essas experiências já geram novas oportunidades para empreendedores amazônicos ampliarem sua produção e acessarem novos mercados. A experiência demonstra que a bioeconomia depende não apenas da capacidade de produzir, mas também da capacidade de criar mercados.
A apresentação do projeto e da publicação em Londres marca um novo capítulo da trajetória do Instituto Arapyaú nessa agenda: além de divulgar o potencial dos sistemas alimentares da floresta para um público internacional, o instituto quer atrair novos parceiros para fortalecer cadeias produtivas, apoiar empreendedores e ampliar o alcance desse modelo.
“O que queremos mostrar em Londres é que existe uma oportunidade concreta de conectar biodiversidade, desenvolvimento econômico e conservação. Nossa ambição é que essa experiência inspire novos parceiros, novos investimentos e novas formas de fazer negócios a partir da floresta em pé“, afirma Vinicius Ahmar, diretor programático do Arapyaú.