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setembro 1, 2026

São Paulo conecta agenda climática internacional à implementação nos territórios

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Nosso impacto

O que o Instituto Arapyaú está fazendo para impulsionar o desenvolvimento sustentável 
na Amazônia?

Depois de ocupar o centro da diplomacia climática global com a COP30, o Brasil entra em uma nova etapa: transformar compromissos em políticas públicas, investimentos e projetos capazes de chegar aos territórios. A terceira edição da São Paulo Climate Week mostrou que esse movimento começa a ganhar novos espaços de articulação no país, reunindo atores que serão determinantes para levar a agenda climática da negociação à implementação.

Realizada entre os dias 3 e 7 de agosto, a semana teve como tema “Da agenda global à ação nos territórios”. Mais de 230 atividades foram distribuídas por cerca de 30 pontos da capital paulista, reunindo executivos, investidores, representantes de governos e organizações internacionais e lideranças comunitárias. Em uma sinalização simbólica do propósito do evento,  a abertura ocorreu na Terra Indígena Jaraguá, na comunidade Tekoa Yvy Porã, do povo Guarani Mbya. Foi a primeira vez que uma Semana do Clima teve início em um território indígena.

Os debates percorreram temas como transição energética, descarbonização da indústria e dos transportes, biodiversidade, agricultura, sistemas alimentares, adaptação urbana, financiamento e tecnologia. A amplitude da programação mostrou que o enfrentamento da crise climática atravessa decisões sobre produção, infraestrutura, uso do solo, inclusão social e competitividade.

Para Bruna Mattos, gerente de projetos e parcerias do Instituto Arapyaú, o movimento ajuda a aproximar diferentes setores e a manter o debate climático mobilizado ao longo do ano.

“A Semana do Clima de São Paulo esteve alinhada a uma tendência crescente de multiplicação e descentralização dos debates sobre clima e natureza, reunindo atores do setor privado, da sociedade civil e da academia. A agenda reforça São Paulo como um polo relevante de discussão no país, em paralelo a movimentos semelhantes observados em cidades como Rio de Janeiro e Porto Alegre”, afirma.

Essa expansão ocorre em um momento no qual o debate climático passa a cobrar não apenas metas, mas mecanismos para colocá-las em prática. Embora as Climate Weeks independentes não integrem a estrutura formal da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, elas se consolidaram como plataformas para formar parcerias, alinhar agendas e mobilizar empresas e investidores.

Natureza como infraestrutura econômica

O Instituto Arapyaú acompanhou diferentes atividades da semana, entre elas o Fórum Produtividade e Sustentabilidade, promovido pelo Instituto Itaúsa, e o World Climate Summit São Paulo, realizado no MASP pela World Climate Foundation. 

Segundo Mattos, o fórum discutiu uma tese central para a transformação da economia brasileira: produtividade e sustentabilidade não são objetivos concorrentes. Evidências científicas e experiências em curso mostram que ampliar a eficiência produtiva, proteger os recursos naturais e aumentar a resiliência dos sistemas econômicos são frentes que precisam avançar juntas.

Essa leitura também orientou a participação do Arapyaú no World Climate Summit. Na abertura do encontro, Renata Piazzon, CEO do Instituto, integrou um painel com David Laborde, diretor da Divisão de Economia Agroalimentar da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO); Leticia Guimarães, head de Biodiversidade da Vale; e Laura Motta, gerente sênior de Sustentabilidade do Mercado Livre Brasil.“A natureza não é o entorno, ela é a infraestrutura que sustenta uma economia resiliente”, afirmou Renata.

A premissa desloca a natureza de uma posição periférica para o centro das decisões econômicas. Florestas, solo, água e biodiversidade sustentam cadeias produtivas, reduzem vulnerabilidades e influenciam a capacidade de adaptação às mudanças climáticas. Conservar esse capital natural, portanto, não é uma agenda separada do desenvolvimento, mas uma condição para sua continuidade.

Essa é uma discussão que não avança sem o agronegócio. Quase metade das áreas conservadas de florestas no Brasil está localizada em propriedades rurais privadas, como mostra o estudo “O Protagonismo das Florestas Brasileiras na Agenda Climática Global”,  elaborado por uma coalizão formada por oito instituições: Instituto Arapyaú, Amazônia 2030, CEBDS, Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, Imazon, Ibá, Instituto Itaúsa, Uma Concertação pela Amazônia e Página 22. Isso faz do setor não apenas um usuário dos recursos naturais, mas também um ator decisivo para conservar vegetação nativa, restaurar paisagens e ampliar a resiliência da produção.

“Por ser dono do maior estoque privado de capital natural do planeta, o agronegócio ocupa um papel central nesse debate. Diante dessa constatação, é impossível seguir tratando natureza e agronegócio como agendas separadas”, avalia a CEO do Arapyaú.

A integração entre essas agendas pode ajudar o Brasil a responder a exigências crescentes dos mercados internacionais, atrair capital para cadeias de baixo carbono e transformar seus ativos ambientais em uma vantagem competitiva. O país reúne condições para avançar simultaneamente em energias renováveis, bioeconomia, agricultura sustentável, restauração florestal e soluções baseadas na natureza. Mas esse potencial depende de coordenação, continuidade e capacidade de levar projetos à escala.

Uma parceria para ampliar conexões internacionais

A participação do Arapyaú no World Climate Summit São Paulo faz parte da parceria com a World Climate Foundation – organização internacional sediada em Copenhague que atua na articulação entre empresas, investidores e governos para acelerar a agenda climática. A colaboração prevê uma série de grandes eventos ao longo de 2026 e dá continuidade às discussões levadas pelo Instituto à London Climate Action Week, especialmente em torno da restauração florestal, dos sistemas alimentares e do papel da filantropia na criação de condições para novos mercados.

A chegada do World Climate Summit a São Paulo é um sinal da relevância do Brasil na agenda internacional. Pela primeira vez, a organização incluiu uma cidade do Sul Global em seu calendário oficial, ao lado de centros como Londres e Nova York.

A escolha  reflete uma geografia mais ampla da economia climática, na qual países com recursos naturais, produção agrícola, matriz energética renovável, base industrial e escala territorial ganham relevância na construção das soluções exigidas pela transição.

Por fim, a terceira edição da São Paulo Climate Week deixou uma mensagem convergente: o Brasil dispõe de ativos para exercer liderança climática, mas esse lugar não está assegurado apenas pela biodiversidade que abriga ou pela relevância adquirida nas negociações internacionais. O protagonismo dependerá de sua capacidade de integrar setores, mobilizar financiamento e transformar natureza, produtividade e inclusão em bases de uma economia mais resiliente.

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