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outubro 1, 2026

Semana do Clima de Nova York 2026: do compromisso à implementação

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Nosso impacto

O que o Instituto Arapyaú está fazendo para impulsionar o desenvolvimento sustentável 
na Amazônia?

Entre 20 e 27 de setembro, na Semana do Clima de Nova York de 2026, líderes empresariais, governos, investidores, cientistas e organizações da sociedade civil se reuniram em centenas de eventos espalhados pela cidade. O tema oficial — Energy. Impact. Action — sintetizou a preocupação central: como transformar a transição climática em investimento, infraestrutura e resultados concretos.

A principal mudança em relação ao discurso tradicional foi a centralidade da economia. A pergunta já não era apenas como reduzir emissões, mas como fazer a transição energética diante de uma economia mundial pressionada por custos, guerras, segurança energética e uma demanda crescente por eletricidade.

O debate ganhou uma nova camada com a inteligência artificial. A expansão de data centers está criando uma demanda extraordinária por eletricidade e água e obrigando governos e empresas a discutir de onde virá essa energia e quem pagará pela infraestrutura necessária. A discussão não foi apenas sobre tecnologia, mas sobre como administrar a relação entre crescimento econômico, eletrificação e limites ambientais.

Outro destaque foi o financiamento climático. A discussão avançou da necessidade genérica de “mais dinheiro” para uma pergunta mais concreta: como transformar planos climáticos nacionais, projetos de adaptação e soluções baseadas na natureza em oportunidades que possam efetivamente receber capital.

“Escala foi a palavra que mais ressoou nas discussões sobre investimento”, conta Renata Piazzon, CEO do Instituto Arapyaú, que participou de diferentes agendas em Nova York. “E escalar a agenda climática depende de diferentes formas de capital. A filantropia tem um papel importante como capital catalítico, ajudando a alavancar recursos privados e criando condições para que o financiamento em soluções em bioeconomia, natureza e sistemas alimentares avance.”

Os debates na Climate Week consolidaram o entendimento da natureza como infraestrutura econômica. Florestas, água, solos, biodiversidade e sistemas agrícolas são apresentados como ativos relacionados à segurança hídrica, à estabilidade das cadeias de suprimento, à adaptação e à redução de riscos.

“Essa agenda virou uma agenda de oportunidade, de competitividade. Tanto dentro da ONU quanto fora, a agenda climática passou a ser discutida não sob a ótica ambiental, mas sob uma ótica econômica, de investimento e que se conecta a outras que trazem prosperidade e competitividade para o país”, afirma Renata.

O lugar do Brasil 

O Brasil apareceu em pelo menos quatro grandes temas que se cruzaram ao longo da semana: florestas, financiamento da natureza, transição para uma economia de baixo carbono e implementação de soluções em escala. 

A maior parte das discussões aproximou clima, biodiversidade e economia ao colocar em pauta como conservação, restauração e desenvolvimento local podem se traduzir em projetos, modelos de negócio e mecanismos financeiros capazes de operar em escala. Para o Brasil, isso significa transformar seus ativos naturais em oportunidades de desenvolvimento, sem dissociá-los da conservação dos territórios.

Em diversos fóruns, o Brasil foi colocado como um país de oportunidades para a liderança dessa agenda. “A gente pode ser essa potência agroambiental, não só o Brasil, como o sul global. Mais de 63% da nossa matriz energética é limpa, muito acima dos 40% da média global. Além disso, somos um dos maiores países produtores de alimentos do mundo. A gente é um país de solução”, reforça Renata.

Mesmo com tantas transformações, um ponto não mudou na semana do Clima de Nova York: a urgência do tema, também expressa nas evidências. Das metas dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável até 2030, só 36% apresentam progresso adequado. Ao lado disso, o relatório Planetary Health Check, coordenado por um dos mais respeitados cientistas climáticos do mundo, Johan Rockström, mostra que a Terra já ultrapassou sete dos nove limites planetários. 

“Diante do tamanho do desafio que temos pela frente, precisamos de mais soluções que mostram que é possível transformar, que indiquem que produção e conservação não são antagônicas e que podem ser uma agenda de desenvolvimento de país”, complementa Renata.

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